Dra. Denise Mondejar Molino
 (CRP 06/6070)

Psicóloga pela PUC-SP
Especialista em Psicologia Clínica -Psicoterapeuta de abordagem junguiana e corporal - Supervisora Clínica e Coordenadora de grupos de estudos sobre A Psicologia de C.G. Jung / Transtornos Alimentares
 




APARÊNCIAS

Um interessante artigo que fala
da importância que crianças e adolescentes
dão ao fator "aparência" e como lidar
com o tema com muita conversa e diálogo.



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Na raiz da palavra mito encontramos o sentido das verdades eternas. Existem varias mitologias, mas os gregos nos brindaram com um conjunto de estórias interessantes sobre seus deuses e semi-deuses, seus amores ódios, sofrimentos, conquistas e dificuldades. Deixaram um legado a nossa cultura cheio de ensinamentos sobre a conduta e o relacionamento humanos, sobre a resolução de impasses pessoais, sobre nossos excessos.

A nossa psique adora estórias, é movida por símbolos.

Quem tem filhos pequenos ou atende crianças sabe o quanto gostam de ouvir repetidas vezes uma lenda com riqueza de detalhes. Podemos usar estórias e contos de fadas para tratar nossos pequenos pacientes; elas curam os sofrimentos da alma infantil e aos adultos convidam a reflexão.

Então para nosso deleite lá vai:

O grego Esopo nos conta que um dia um moleiro e o filho saíram para vender um burro que tinham numa feira. Ao passarem por um grupo de meninas escutaram:

“Olhem só , vão assim a pé quando podiam ir montados!”

Ouvindo o comentário, o velho disse ao filho que montasse no burro e prosseguiram a viagem.

Mais adiante encontraram um grupo de velhos e escutaram: “Estão vendo aquele tratante preguiçoso montado no burro, enquanto o pai tem que caminhar!”.

Ouvindo isso o pai mandou o filho desmontar e montou.

Pouco mais a frente algumas mulheres e crianças observaram: “Velho preguiçoso, como pode deixar o pobre menino assim que mal consegue acompanha-lo?”.

O moleiro bom homem, fez com que o filho subisse na garupa.

Mais a frente um aldeão questiona: “O burro é seu? Mas não parece pelo modo como o sobrecarregam”.

Pai e filho chegaram a cidade carregando o burro nas costas. Riram tanto deles que o burro irritado com o barulho fugiu.

O velho aborrecido convenceu-se de que querendo agradar a todos, não agradara a ninguém e ainda por cima perdeu o burro.

A visibilidade e a adesão a comportamentos tidos como “os do momento” nos fazem carregar o burro nas  costas para longe das nossas necessidades pessoais. Quando se trata da aparência, fator importante na adolescência a coisa fica muito pior. Nesta fase da vida, onde ser aceito pelo grupo é vital; ser diferente é a morte e cheira a exclusão.

Pesquisas em vários paises apontaram que quase totalidade dos jovens entrevistados mudariam algo em seus corpos baseados em padrões externos de beleza e saúde.

Hoje o corpo é nosso burro carregando um peso não mais um veiculo, meio de expressão, lugar de conforto e prazer. Corpo sofrido, mal amado, pouco  aceito e condenado a toda sorte de investigações. Corpo que perde aos poucos seu direito ao privado, a qualidade do mistério, do sagrado exposto, mutilado, coisificado.

E porque não?

A opinião dos amigos ganha seu status perto dos onze ou doze anos quando mudanças físicas e psicológicas prenunciam a adolescência. A tão falada identidade se constitui pela desconstrução. O que valia antes perde terreno. Pais, professores perdem espaço para a turma, a galera e surge todo tipo de indisposições.

Há que confrontar com alguém ou com valores e regras; assim vou sabendo quem sou eu!

A vida em sociedade pressupõe algumas convenções, numa relação dinâmica e criativa sem a qual seria impossível o convívio. Mesmo após a adolescência, quando a pressão do grupo é quase um massacre continuamos sujeitos ao que é desejável ou não em termos de comportamento e temos que lidar com outras  influencias; a TV a propaganda, filmes ditadores de costumes novos.

Ser belo, ter sucesso, inflncia e poder, freqüentar lugares, são propostas como vacinas virtuais contra os foras que levamos da vida, não é mesmo?

O que fazer com o enorme contingente de jovens que direta ou simbolicamente através de seus distúrbios nos perguntam sobre o que fazer. Eles precisam de nós para se nortear e para se opor. Vir com o sedutor e modernoso “Você é quem sabe” é perigoso.

O dialogo é fundamental assim como a presença para saber com quem estão, o que pensam, com o que sofrem. Total responsabilidade nossa, mesmo que eles discordem deste posicionamento.

Mas, e quando os pais estão fincados nas aparências? Quando eles mesmos não resolveram suas adolescências e ao invés de incorporarem a parentalidade são coleguinhas dos filhos competindo por juventude e visibilidade?

Bem, aí abandonamos nossos lindos filhos. Não aprendemos a dizer não a todos as influencias, deixamos de pensar no que serve para nós, nas qualidades do ser, deixamos de funcionar como filtros estimulando a convivência com as diferenças.

Pais são sustento, são modelos. Somente quando nos discriminamos do coletivo é que podemos ser sujeitos interessantes à comunidade.

Parece paradoxal? É não! Senão passaremos a vida “carregando o burro”

Jung, psiquiatra suíço refletiu sobre a tarefa de nos tornamos um sem que com isso fiquemos arrogantes. Ao contrário, sugere em seu volume O Desenvolvimento da Personalidade, que não onerássemos nossos filhos com aquilo que não pudemos lidar em nós mesmos. Pensador de vanguarda aponta a necessidade de firmeza moral e humildade para percebermos como precisamos nos educar para termos uma personalidade integrada capaz de formar indivídos.

Parece que a questão é encontrar o ponto do meio entre as referencias externas e nossa subjetividade. Em nosso país, falando somente sobre a ditadura da beleza, temos observado grandes estragos. 

O que há para ler:
- O Corpo no Limite da Comunicação-Rubens Kignel
- Corpo, Limites e Cuidados – Lídia Aratangi
- Adolescentes: Quem Ama, Educa! – Içami
- Fabulas de Esopo – Robert Mathias

Denise M. Molino é psicoterapeuta junguiana trabalha em seu consultório em São Paulo e Jundiaí, no atendimento clinico e na formação de jovens psicólogos.


Dra. Denise Mondejar Molino
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