Dra. Denise Mondejar Molino
 (CRP 06/6070)

Psicóloga pela PUC-SP
Especialista em Psicologia Clínica -Psicoterapeuta de abordagem junguiana e corporal - Supervisora Clínica e Coordenadora de grupos de estudos sobre A Psicologia de C.G. Jung / Transtornos Alimentares
 




VIDAS NÃO VIVIDAS


Em vista de tantas tragédias envolvendo crianças brasileiras
na mais terna idade, a Dra. Denise Molino lança um olhar
sobre esta faceta obscura de nossa sociedade.

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Perder um filho é uma experiência terrível, talvez a mais difícil a ser enfrentada por um ser humano. Projetamo-nos para frente nos filhos que temos pois levam consigo nossas feições, valores, história, todas as fantasias de imortalidade e construção.

Criança traz consigo o novo, o futuro, o frágil e delicado, a curiosidade e a dúvida, a brincadeira e o pedido por continência e amor. Funções da parentalidade, o nutrir, acolher apresentar o mundo ao menino e à menina, “assoprar dodói”, ensinar o pode / não pode; para exercê-las é preciso que um dia tenhamos ocupado o coração e a mente de alguém. Assim, tendo experimentado um lugar humano e digno possuímos condições de “passar o bastão” à frente como se diz .

Mas somos pegos por tragédias que se sobrepõem e pedem uma reflexão. No Rio de Janeiro, pessoas na sua maioria crianças, morrem de dengue, sem a oportunidade de diagnóstico preciso e de um simples soro porque não há espaço e olhar possíveis para suas dores. Olhar adiado, vidas perdidas. Doloroso observar a expressão de  desespero e exaustão num misto de coragem e desamparo nos pais que carregam seus filhos mortos, à semelhança da Pietá.

Porém a dengue já perdeu seu espaço para a impensável forma de morrer da menina Izabela, da jovenzinha torturada em Goiânia, do menino que pulou da sacada de sua casa para fugir à fúria e ao espancamento por seu pai alcoólatra e das crianças que todos os dias morrem vítimas de abusos físicos e psíquicos. Nos consultórios, postos de saúde e pronto atendimento conhecemos bem os politraumatismos decorrentes de surras, bracinhos queimados por pontas de cigarros e hematomas mascarados por mentirosas  e cínicas queixas de “acidentes no lar”.

Como entender essa covardia? Do que falam a nosso pp respeito a negligência da assistência, a tortura e morte física ou psíquica de crianças e a importância desigual dada tantos casos? Sucessão de espanto e comoção isentos de reflexão.

Banalisadas as regras sociais de convívio e perdidas as garantias de integridade, assistimos nossos horrores em assassinos que desejamos ver punidos. Quando algo deste porte acontece procuramos nos assegurar nas autoridades do saber, os papais especialistas, querendo o próximo passo, as providências, atrás de uma quase promessa de que não vai mais ocorrer. Indignação ou medo disfarçado em porquês? Assustados clamamos por justiça, limites e previsibilidade e vamos para casa repetir nossas pequenas e grandes crueldades.

De quê adianta culpar sogras e “má-drastas” ou qualquer outra figura depositária das nossas mazelas se não impomos conseqüência aos atos e não nos responsabilizamos pela própria sombra, individual ou coletivamente?

Penso que é muito difícil mesmo olhar para as conseqüências dos atos irrefletidos, das relações superficiais, do descaso e do adiamento de decisões, aos quais somos capazes com total prejuízo nosso. Carl Jung dizia que quando não olhamos para nossas difíceis singularidades a vida pode mostra-las a nós através de ocorrências.

Tomara nosso assombro e indignação com tantos filhos perdidos promova alguma espécie de reflexão amorosa e séria, que não seja passageira em respeito às vidas não vividas e às mortes prematuras.

Estamos todos de luto.
 

Denise M.Molino é  psicoterapeuta, especialista em Psicologia Clínica e atende em seus consultórios em São Paulo e Jundiaí.
(e-mail: dmmolino@hotmail.com).
 


Dra. Denise Mondejar Molino
 (CRP 06/6070)

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