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Dra. Denise Mondejar Molino:
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Ao longo de quase trinta anos de carreira acompanho pessoas a reconstruir suas vidas, a se sentirem mais à vontade com seu cotidiano cheio de desafios e frustrações. Todos,
inclusive os terapeutas, passam por momentos de dúvida, apreensão, solidão e medo, portanto,
somos todos parceiros de uma caminhada, cada qual com sua peculiaridade, que se assenta num pano de fundo comum, a pulsação da vida.
Terapeutas experientes sabem que não somente os conhecimentos teóricos fornecem o substrato necessário para se lidar com as questões humanas que são o cotidiano nos consultório de psicoterapia. A pessoa
do psicoterapeuta, suas escolhas e crenças, seus amigos, seus amores, obrigações, sua fé, aliados
à sua formação o preparam para o desafio de estabelecer com seu paciente uma relação suficientemente dinâmica, espontânea e de consideração incondicional. Há tanto o que se cuidar num relacionamento
terapêutico, tantos fluxos não previstos que não há como padronizar ou empacotar a psicoterapia em fórmulas fixas na tentativa de tornar o processo mais controlado e previsível.
Isto não é possível; não há sequência prescrita ou “exercício” definidos a cada semana se desejamos que a psique nos fale a seu modo e se respeitamos o ritmo de cada paciente que
temos a frente.
Nesse sentido a psicoterapia foge às tentativas de limitar cronologicamente sua duração, esse tempo que é linear e que tem pouco ou nada a ver com tempo psíquico ou com os
limites e regras do seguro-saúde. Nossa mente escapa, nos prega peças, surpreende médicos e analistas.
Um de meus mestres, Jung dizia da importância a ser dada a singularidade do mundo interno das pessoas, sugerindo que o terapeuta deveria se empenhar em criar seu próprio método,
adaptando-o a cada paciente. Propunha ainda que a personalidade do psicoterapeuta e a relação estabelecida com seus clientes era o fator determinante de cura e transformação. Outro mestre querido,
Dr. Petho Sandor, quando orientava observação cuidadosa dos ritmos corporais lembrava que a remoção dos obstaculos, as tensões musculares, respiratórias e de postura
permitiriam a reorganização necessária ao paciente, sempre que regado a muita atenção e interesse aos detalhes das conversas nas sessões. Dar atenção e ensinar a tê-la com os
aspectos de nossa vida pessoal costuma trazer muito conforto e é peça chave do trabalho pois particulariza cada encontro. Esta idéia está na base dos projetos de humanização do atendimento clínico em
hospitais e outras instituições .
Ao longo de uma terapia ocorrem grandes e pequenas respostas às questões que espontaneamete o paciente faz ao terapeuta. Um novato pode ficar preocupado em como responder
a isso, se deve ou não fazê-lo; a técnica e seus mandamentos vem à baila como referência e apoio. Mas é
preciso ir além e confiar no gesto natural e isto só se faz com a experiência, com vida vivida, gostando de estar com gente, aberto ao sofrimento. O processo psicoterápico é tão
artesanal que para alguns uma pequena correção nas atitudes basta, para outros é necessário uma profunda retrospecção e ver o quê do passado ainda não passou.
Questões desvendadas aqui e agora ajudam a dar significado a toda uma história pregressa.
Vejam, por exemplo, o crescimento dos casos de depressão e pânico nos consultório. Temos como
entorno uma sociedade atual mimada, espetacular, condenada a felicidade sem fim, superabastecida até o estupor. No entanto os
indivíduos estão tristes, angustiados e deprimidos e mais do que consolo precisam ter sua dor reconhecida, de preferência na companhia de um terapeuta interessado e paciente que possa ajudar a suportar as
tensões da existência. Isto não se faz com programas breves. Mesmo a vasta e preciosa medicação psiquiátrica pede do médico consideração criteriosa e individualizada de modo a minorar o desconforto e ainda assim permitir que o processo de descoberta de si
mesmo possa ocorrer.
Caminhamos no sentido da individualização, da especificidade e da subjetivação. Padronização serve às leis gerais mas a vida nossa de cada dia pula
fora da caixa e nos surpreende.
Denise M.Molino é psicoterapeuta junguiana e coordenadora de grupos de estudos e supervisão. Atende em seus consultórios em S. Paulo e Jundiaí.
(e-mail: dmmolino@hotmail.com)
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Dra. Denise Mondejar Molino
(CRP 06/6070)
Consultório em São Paulo:
Av. Lins de Vasconcelos 1609 - conj 52
Fone: (11) 2274-5588 - Vila Mariana
Consultório em Jundiaí:Rua Francisco Pereira Coutinho 165, V.Municipal, tel: 011-4522-6615/ 011-9724-1768 , Jundiai ,São Paulo .
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