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Dra. Daniela Levy:
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Aberastury (1978) afirma que desde pequena a criança tem consciência da
existência da morte, embora essa consciência possa não ser identificada
pelos adultos, pois é expressa com os recursos disponíveis pela criança.
Nem sempre ela fala de morte, mas pode representá-la lúdica ou
graficamente.
No âmbito familiar, uma dificuldade grande para os pais está exatamente
na necessidade que a criança tem de fazer perguntas muitas vezes
complexas. Colocam questões profundas sobre o ser humano, sobre a vida e
sobre a morte. Quando alguém da família de uma criança morre, ainda que
se tente omitir ou negar, ela irá perceber através das atitudes
transformadas dos familiares ao redor. O fato é que cedo ou tarde ela
descobrirá. Omitir-lhe a verdade seria algo grave, seria como ignorá-la
só porque ela não fala como os adultos, como excluí-la da família, e
pior ainda, se as pessoas mais próximas em que ela deposita toda sua
confiança não forem capazes de falar sinceramente sobre a morte, ela
tomará isso como um modelo a seguir e nem ousará perguntar à respeito
daquilo que sua percepção lhe diz.
O que o adulto não sabe, é que as crianças questionam sem angústia a
respeito da morte até cerca de sete anos. Por volta dos três anos de
idade esta questão começa a aparecer. Existem animais que morrem em
torno delas, elas ouvem estórias, conversas; o conceito de que as coisas
acabam, e que os limites existem, já estão estabelecidos desde muito
cedo.
Se a criança estiver bem amparada, terá mais chances de elaborar da
forma mais sadia possível o momento do luto.
A conclusão de uma conversa franca com uma criança, sobre a morte, sem
medo, tem sempre um tom positivo, só o fato de estar perto, falando a
respeito e ouvindo, já é positivo. Todos os seres humanos aceitam a
morte através de uma forma singular. Devemos respeitar, no mínimo, a
maneira que as crianças encontram para superar o momento da morte. Elas
têm perguntas e buscam o conhecimento, e nós, adultos que muitas vezes,
acreditamos que sabemos muito, ouvimos delas as melhores respostas para as
perguntas que não saberíamos responder.
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Daniela Levy - Psicologia Infantil
(CRP: 06/58195-8)

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