Leia Também:
Dra. Daniela Levy:
|
|
A psicanálise no fim do século passado traz de modo incontestável, até
os dias de hoje, a descoberta de que a repressão em que eram educados os
filhos levava a distúrbios emocionais.
O lugar do pai severo que impõe normas e da mãe que as cumpre e faz
cumprir, foi contestado. O mundo mudou desde então. Maior liberdade de
expressão dos filhos, maior atenção dos pais. Com isso, o desejo do
filho é que manda. Se antes considerava-se a criança sem desejo, hoje o
desejo dela é por vezes ditatorial; quem abre mão do que quer são os
pais.
Isso ocorre, pois nossa geração anda muito culpada e assume uma postura
super protetora, os pais sentem-se sempre devedores à criança. Sem
percebermos passamos a idéia que as dificuldades devem ser compensadas
com os bens materiais. Não posso ser o melhor pai, mas trabalho e posso
dar presentes para meu filho.
Com isso onde anda a auto-estima e segurança dos pais? Quem sabe seja
preciso assumir seus limites e mostrar às crianças que os problemas
fazem parte da vida de todos.
O sentimento de frustração pode tornar-se muito freqüente em função
do desejo da criança que é ilimitado e não leva ainda em conta os
aspectos da realidade. É característica da natureza do desejo que este
seja ilimitado, com fantasias de tudo querer e de tudo poder. Só com o
desenvolvimento e com a ajuda do adulto é que a criança pode ir
aprendendo a restringir certas vontades, a trocar uma coisa por outra, a
aceitar que existe uma hora para cada atividade e que mesmo que algo seja
prazeroso, em certo momento pode precisar ser deixado de lado e
substituído por outra coisa.
As crianças de quatro anos começam a interessar-se por regras, tanto no
sentido do que é permitido fazer quanto do que não é, e também no
sentido mais amplo do que é certo e do que não é.
Esse progresso é um processo lento e trabalhoso. Quem pode ajudar a
criança nesse sentido é o adulto, os educadores, e sobretudo, os pais.
Para tanto, é fundamental que os adultos também possam aceitar os
limites e as frustrações da vida, considerando os aspectos da realidade,
ou seja, o adulto possa compreender que frustrar o filho (dar limites)
não é ser "mau", e sim, dar-lhe proteção e cuidado. Se isto
não está sendo possível, as "regras" de como educar e
castigar acabam falhando.
É preciso que os pais possam aceitar as reações de agressividade e
sofrimento dos filhos perante suas frustrações, de maneira a permitir
que eles se desenvolvam. O sofrimento faz parte da vida e, tentar poupar
os filhos dessas experiências, é prejudicá-los no enfrentamento
da vida.
|
Daniela Levy - Psicologia Infantil
(CRP: 06/58195-8)

Rua Borges Lagoa, 1065 - 1o andar -
cj. 12
Vila Mariana
Tel 5549-1109
email: danlevy@bol.com.br
|

|
|
|