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Dra. Daniela Levy:
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Hoje em dia, um número cada vez maior de adultos
estão criando sozinho seus filhos. A maioria desses adultos são mulheres.
Algumas vezes o adulto precisa criar sozinho uma criança por causa da
morte do parceiro, mas em geral isso ocorre em virtude de um divórcio ou
separação. Certos pais, depois da separação, conseguem permanecer
sendo um casal no sentido de serem os pais de seu filho.
Quando isso acontece, a criança é evidentemente favorecida. Se os pais
querem que seus filhos sejam felizes, o vínculo filial deve ser
preservado independentemente dos laços conjugais. A grande confusão que
acaba ocorrendo na cabeça das crianças é quando os adultos misturam as
figuras de marido e mulher com as de pai e mãe. Quanto menores forem os
filhos, tanto mais necessitam de pai e mãe. Quanto mais dependentes, no
sentido de necessitar de cuidados, mais irão exigir uma figura que supra
suas necessidades. Essa figura tanto pode ser a materna quanto a paterna.
A capacidade que as crianças pequenas têm de diferenciar a realidade da
fantasia é pequena, de modo que estas podem, em sua imaginação,
sentir-se responsáveis pelos eventos a seu redor. Portanto, não é
incomum que elas sintam terem afastado o pai ou a mãe. Se os pais puderem
continuar a ser amigos e a compartilhar a responsabilidade e o amor pelo
filho, este passará a compreender e acreditar que não é responsável
pelo término do relacionamento dos pais.
Tendo em vista, porém, as características da natureza humana, é comum
que a capacidade dos pais divorciados de assumir uma responsabilidade
adulta pela criação do filho diminua, e a criança pode então se tornar
um "joguete" no relacionamento. Crianças pequenas são muito
vulneráveis e precisam ser protegidas das discussões, que muitas vezes
não conseguem compreender, mas cujo impacto emocional certamente são
capazes de sentir.
Portanto o importante é que na separação os pais poupem a criança de
sofrimento. Tentar explicar a razão por que estão se separando pode
apenas confundir ainda mais a criança. O que ela provavelmente precisa é
de um relato, o mais simples e direto possível, das mudanças que a
separação trará. Acordos relativos aos dias de visita são mais
facilmente compreendidos por crianças de sete anos do que por crianças
menores.
Os filhos não devem ser colocados como culpados, responsáveis ou
participantes da separação conjugal. O melhor é transmitir aos filhos
que o casal irá se desfazer, mas que os vínculos de pai e mãe serão
preservados o máximo possível.
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Daniela Levy - Psicologia Infantil
(CRP: 06/58195-8)

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