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A boca é dotada de inúmeras bactérias que regulam e compõem a flora
bucal, mantendo-a saudável. Se surgem problemas, são frutos de um
desequilíbrio na região, que acontece pela falta de higienização
correta ou queda da imunidade da criança.
Antes do nascimento dos dentinhos, a principal invasora da cavidade é a
candidíase, conhecida como sapinho. "O fungo se instala quando a
criança fica com resistência baixa e se multiplica rapidamente",
explica a odontopediatra Lúcia Coutinho Porto, da Associação Paulista
de Cirurgiões-Dentistas.
Essa doença é mais comum em recém-nascidos, que já têm a imunidade
baixa porque o organismo ainda está se acostumando com o mundo
extra-útero. Os bebês podem entrar em contato com o germe no momento do
parto, durante a passagem pela vagina. "A candidíase neonatal é
contraída nas duas primeiras semanas de vida e sua ocorrência é
bastante comum" diz a especialista.
Quando o bebê está tomando algum antibiótico também corre risco de
sofrer do problema, uma vez que as bactérias bucais sofrem modificações
pela ação do remédio. Nesse caso, a região fica mais propensa à
ação maligna dos microorganismos.
A doença gera lesões na mucosa oral, formando placas brancas salientes,
semelhantes a coalhada, na parte interna das bochechas, na língua, no
céu da boca ou nas gengivas. Se as placas são retiradas, a pele pode
sangrar.
Em alguns bebês, podem surgir no céu da boca pontos brancos ou
amarelados. São chamados de Pérolas de Epstein e não devem ser
confundidos com sapinho, pois logo desaparecem.
Apesar de não ser perigosa e dificilmente evoluir para um quadro clínico
grave, a candidíase dificulta a alimentação da criança, que fica
irritadiça e manhosa, pois a boca fica dolorida. Apesar de normalmente
sumir sem tratamento, consulte o pediatra se suspeitar do problema. Mas
fique ciente de que o melhor cuidado é a prevenção.
Contato com o mundo
A primeira forma de o bebê contatar o mundo é com a boca. Ele
vive a fase oral no primeiro ano de vida e deseja explorar os objetos com
a boca, sua maior fonte de prazer, liderada pela amamentação diária.
Por isso, objetos, chupetas e mamadeiras devem ser muito bem limpos,
lavados constantemente com água e sabão.
Durante o período de amamentação, que coincide com a ausência de
dentes, a boca do bebê deve ser limpa uma vez ao dia, de preferência à
noite, para serem retirados todos os resquícios do alimento. "O
leite pode fermentar e tornar a cavidade um local perfeito para o
desenvolvimento de fungos", reforça Antônio Bento, dentista e
coordenador do Centro de Pesquisas e Atendimento Odontológico para
Pacientes Especiais da Unicamp, em Piracicaba, SP.
Para deixar a boca sempre limpinha, o ideal é passar uma fralda umedecida
com água filtrada em toda a gengiva e nos cantinhos onde possa haver
leite acumulado.
Normalmente, os primeiros dentes irrompem aos seis meses e o bebê passa a
comer outros alimentos. "É a hora da primeira consulta no
odontopediatra, para avaliação dos dentes, das arcadas e orientações
para a mãe cuidar bem da boca do bebê", acrescenta Lúcia. A partir
daí, a limpeza deve ser feita da mesma forma, só que três vezes ao dia,
sendo que a última delas deve acontecer antes de dormir. Ou então, a
mãe pode passar uma solução especial, prescrita pelo odontopediatra.
A partir dessa idade, os pais devem retirar, gradativamente, o hábito da
mamadeira noturna, isto é, as mamadas no meio da noite ou para dormir.
Como a criança dorme em seguida, os restos de leite que ficam na boca
não são retirados e podem ocasionar a famosa cárie de mamadeira.
"Isso cria uma verdadeira cultura de bactérias que geram as cáries",
comenta Bento.
Pasta de dente da família, só após os quatro anos. A grande quantidade
de flúor, presente na água e na pasta, podem ocasionar fluorose, manchas
brancas nos dentes permanentes que estão em formação, podendo
enfraquecê-los. "Existem algumas marcas no mercado que oferecem
alternativas sem flúor. Essas devem ser usadas, porque as crianças
sempre engolem e podem ingerir flúor demais", alerta a
odontopediatra.
Para pessoas que não têm acesso a esses cremes dentais, Bento dá uma
dica: "Utilize escovas de dente especiais para criança, pequenas e
bem macias e aplique ‘um grãozinho de arroz’ de pasta."
Bebê de aparelho?
Mamar no peito não faz bem somente ao organismo do bebê, mas também à
saúde de sua boca. "O peito é o primeiro aparelho dental, porque o
ato de sugar ajuda no desenvolvimento da mandíbula, melhora a
respiração pelo nariz, entre outros benefícios", destaca Lúcia.
Além disso, não há risco de contaminação da mamadeira e é um
alimento de baixo teor cariogênico.
Outro hábito, este ruim para a boca do bebê, é o uso da chupeta. Além
de poder contaminá-lo se estiver suja, o uso constante pode deformar a
arcada dentária e gera problemas na dentição de leite e permanente. O
ideal é nem apresentá-la ao bebê (que vai gostar da nova amiga). Mas,
se não houver alternativa ou a família insistir em utilizá-la, opte
pelo modelo ortodôntico que não prejudica o desenvolvimento do maxilar.
Ofereça ao bebê somente para acalmá-lo, não a deixe presa na roupa
para não criar o hábito e interrompa sua utilização até os três anos
de idade. "Todo hábito desmedido pode alterar a arcada da criança,
como também o chupar o dedo. Deve ser interrompido o mais cedo possível",
conclui a odontopediatra.
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| Matéria publicada
na revista Guia da Mamãe- Edição n 05 |
Odonto-Bebê
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