Dra. Lucia Coutinho Porto 
(CRO-SP 23626)
Especialista em Odontopediatria



RESPIRAÇÃO BUCAL

Como ela afeta nossos filhos

e como identificar para poder tratar.


Colaboração Especial:
Dra. Daniella Gomes Nobre - Fonoaudióloga (CRFa 8977/SP)



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O cirurgião-dentista é, muitas vezes, o primeiro profissional da Saúde a ter contato com o portador da síndrome da respiração bucal – ou da face longa - e por isso deve estar atento às suas características, encaminhando o paciente para um tratamento multidisciplinar envolvendo odontopediatra/ortodontista, fonoaudiólogo e otorrinolaringologista.

A respiração pelo nariz é o que chamamos de respiração fisiológica do ser humano, significando que é o natural, o correto para o bem estar do nosso corpo.

Desde muito cedo, aprendemos as principais funções do nariz: olfação (sentir cheiros), filtração, umidecimento e aquecimento do ar para que ele vá na temperatura ideal em direção aos nossos pulmões. Uma simples obstrução na passagem de ar é suficiente para que o indivíduo inicie a respiração bucal, onde a boca assume o papel do nariz tornando-se a única passagem de ar para continuar respirando e manter suas funções vitais.

A criança que recebe aleitamento natural e não mamadeiras com leite alternativo, sobretudo nos primeiros meses de vida, talvez tenham maiores possibilidades de ser um respirador predominantemente nasal durante a vida. Existe uma corrente de pesquisadores que acredita que o leite de vaca, utilizado como aleitamento alternativo, aumenta a gravidade e a freqüência de quadros alérgicos, contribuindo para a mudança de padrão respiratório da criança recém-nascida, o que é totalmente nasal. 

Existem diversos fatores que contribuem para o surgimento de uma respiração bucal que podem ser de natureza obstrutiva ou decorrente de maus hábitos.

O que são fatores de natureza obstrutiva?

  • Hipertrofia de adenóides (aumento no tamanho das adenóides).

  • Hipertrofia de amígdalas (aumento no tamanho das amígadalas).

  • Desvio de septo, que pode ser provocado por traumas, acidentes domésticos ou durante o parto.

  • Corpos estranhos (são objetos que a criança coloca no nariz, como caroços de feijão, arroz, bolinhas de gude, tampas de caneta, peças pequenas de brinquedos, etc...).

  • Pólipos ou tumores que podem ser benignos ou malignos, trazendo obstrução nasal muitas vezes de um lado só da narina.

Estes fatores citados acima desencadeiam alterações secundárias como:

  • Apnéia noturna

  • Sinusites

  • Rinites

  • Otite Média Secretora (infecções frequentes no ouvido)

  • Roncos

  • Baba noturna

  • Coriza (secreção que sai pelo nariz, mesmo a criança não estando doente ou gripada) 

O que são fatores chamados de maus hábitos ou hábitos deletérios ?

  • Sucção de dedos

  • Sucção de chupetas ou mamadeiras que não tenham bicos ortodônticos (são bicos que tem o formato da boca da criança, sem causar alterações)

  • Morder tampas de canetas, chupar objetos por tempo prolongado, não sendo somente aquele chupar por descoberta do objeto.

  • Alterações faciais e corporais no Respirador bucal

O Respirador bucal começa a apresentar características faciais e corporais típicas como desenvolvimento assimétrico dos músculos, ossos do nariz, lábios e bochechas, provocando efeitos na face onde o nariz fica estreito e curto(por falta de uso), bochechas pálidas e baixas, lábio inferior curto, mandíbula posicionada para trás e pouco desenvolvida. A alteração da musculatura da face pode influenciar na posição e forma dos arcos dentários, dentes voltados para frente, palato ogival (céu da boca alto e profundo), dificuldades para mastigar e engolir alimentos duros, atresia da arcada superior, podendo causar a mordida cruzada superior.

Sua postura corporal fica seriamente comprometida, ao respirar pela boca, pois a criança leva o pescoço para frente, os ombros são curvados comprimindo o tórax e o peito fica afundado; os músculos abdominais ficam flácidos e os braços e pernas assumem um padrão para dar sustentação a toda essa musculatura alterada. Toda essa alteração muscular faz com que a respiração seja rápida e curta, onde a criança apresenta um cansaço constante a qualquer tipo de brincadeiras ou atividades físicas.

Alterações comportamentais no Respirador bucal: 

Os respiradores bucais, geralmente são inquietos, impacientes, ansiosos, medrosos e impulsivos e apresentam uma irritação constante. À noite quase nunca querem ir para cama, apesar de estarem dormindo em frente da televisão. Pela manhã, muito cansados devido a pesadelos e dificuldades respiratórias, não querem sair da cama para estudar, trabalhar ou ir para a escola. Na escola tem muito sono, não consegue prestar atenção nas aulas e está sempre cansado e deprimido.

Apresentam enurese noturna (faz xixi na cama), tropeça e cai com freqüência, geralmente suga o polegar, chupetas, a própria língua ou ainda rói unhas.

Diagnóstico e Tratamento:

O trabalho em equipe interdisciplinar é essencial para o estudo e desenvolvimento do caso. Os profissionais de Saúde, devem realizar um trabalho preventivo sobre os efeitos da respiração. 

Nós, odontopediatras devemos estar atentos na primeira consulta, para avaliar a criança de uma forma global. Devemos orientar a prevenção e higiene bucal da criança, observar a presença de cárie, além de avaliar as arcadas dentárias, as estruturas musculares da face e suas funções como mastigação, respiração, deglutição e a fala.

Devemos perguntar às mães, se a criança:

  • Respira bem?

  • Dorme de boca aberta?

  • Ronca a noite?

  • Baba no travesseiro?

  • Tem dificuldade para esporte que exige esforço físico intenso?

  • Sonolência e falta de concentração na escola?

Quando a criança apresentar estas características, provavelmente deverá ter alteração de respiração, ou melhor dizendo, deverá ser um "respirador bucal". A primeira atitude à ser tomada, deverá ser o encaminhamento desta criança, para um otorrinolaringologista, para uma avaliação das vias aéreas superiores (respiração). O diagnóstico e o auxílio do otorrino é essencial para determinar as causas da respiração bucal e orientar qual o melhor tratamento para esta criança voltar à respirar pelo nariz. O tratamento proposto, poderá ser clínico e/ou cirúrgico, dependendo de cada caso.

Nós, odontólogos, precisamos ter a criança respirando normalmente, para que possamos fazer o tratamento ortodôntico com sucesso. Geralmente, os aparelhos ortodônticos propostos, quando existe a mordida cruzada, com falta de crescimento da arcada superior, são aparelhos removíveis, chamadas de Placas Expansoras. Elas poderão ser utilizadas nas crianças, à partir de 05 a 06 anos de idade, dependendo de sua maturidade. De acordo com a complexidade do caso, poderão ser usados outros tipos de aparelhos ortodônticos.

Contamos também com o trabalho da fonoaudióloga, que é importante para a re-educação da respiração, associada à um trabalho de mioterapia com exercícios para o fortalecimento e ajuste da musculatura alterada pela respiração bucal.

Portanto, o trabalho em equipe (odontopediatra-otorrino-fonoaudiólogo), é essencial, pois através de uma avaliação integrada serão propostos, tratamentos específicos, para resolução de cada caso com sucesso!

Este pequeno relato sobre o Respirador Bucal tem toda a responsabilidade de mostrar para as futuras mamães e futuros papais ou aqueles que já tem seus filhos pequenos, saber procurar um profissional se estiver suspeitando que o seu filho apresente uma ou mais características descritas, para que ele possa ser encaminhado, avaliado e se necessário ser tratado o mais precocemente possível para o seu melhor e harmonioso crescimento, desenvolvimento físico, mental e emocional.

Em suma, nós desejamos a Saúde Global desta criança, sabendo que a respiração nasal é fundamental para uma vida mais saudável.

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