Dr. Marco Aurélio Galletta
(CRM 65774)
Médico Assistente da Clínica Obstétrica do Hospital das Clínicas da FMUSP - Responsável pelo Setor de Gravidez na Adolescência




COMO SURGIU O PRÉ-NATAL?



Nos dias de hoje, com os constantes avanços da medicina,
o acompanhamento da gravidez, chamado "Pré Natal", 
torna-se o melhor aliado para as mulheres gestantes.

Saiba como tudo começou, e o que você e seu bebê podem
obter seguindo um bom programa de Pré-Natal. 


Pré-Natal ou assistência pré-natal é o conjunto de ações de atenção médica que se fazem no período em que a mulher encontra-se grávida, visando uma melhor condição de saúde tanto para ela como para o seu bebê, evitando a morte e o comprometimento físico de ambos os dois.

Hoje em dia é comum as pessoas já terem ouvido falar do Pré-Natal. Mas nem sempre foi assim. As primeiras ações que visavam melhorar o bem-estar tanto da mãe como da sua criança iniciaram-se neste nosso século XX, quando alguns médicos começaram a pensar que talvez fosse interessante se fazerem visitas domiciliares às gestantes e chegou-se a cogitar em internação hospitalar para algumas delas.

Até 1901, ninguém achava que a mulher devesse ter seu filho em hospital e muito menos internar-se antes do parto. Só a partir deste momento que se viu que a morte da mãe poderia ser evitada ao tratá-la adequadamente antes do parto.

Como vemos, o Pré-Natal é algo muito recente em termos de medicina. Os primeiros serviços de atendimento pré-natal só surgiriam no Brasil lá pelo anos 20-30, sendo que só no pós-guerra eles realmente se estabeleceram. Mas até este momento, apenas se pensava na mulher, em diminuir os agravos para a sua saúde, sem se pensar quase no feto. Vivíamos um período em que o parto cesárea raramente era feito, pois representava a morte para 40% das mulheres. Os bancos de sangue estavam ainda engatinhando e o primeiro antibiótico, a penicilina, apenas começava a ser aplicada, a um preço ainda proibitivo e com vários efeitos colaterais, pois ainda não era bem purificada. Era um tempo em que, frente aos partos mais difíceis o marido rogava ao médico: "Dr, filho a gente faz outro depois. Mas, por favor, salve a minha mulher, pois é a única que tenho".

Só nos anos 50-60, com a diminuição das taxas de morte materna, é que se começou a preocupar decididamente com o feto e sua saúde ainda dentro do corpo da mãe. Foi aí que se começou a ver como o nenê era alimentado pela placenta e do quanto de oxigênio ele precisava para se manter vivo. Os médicos aos poucos foram se dando conta de como ele crescia e quais eram suas adaptações para viver fora do organismo materno. Foi um tempo de grande evolução, onde aquele ser misterioso que residia no útero da mulher foi progressivamente sendo descoberto.

A segunda guerra mundial, com seus horrores de morte e de fome, pode contribuir para um melhor entendimento do como esta criança era nutrida, mas avanços tecnológicos importantes ajudaram mais ainda este re-descobrimento fetal. Dentre tais avanços, sem dúvida nenhuma se encontra a ultrassonografia que, a partir dos anos 70, vai se estabelecendo como recurso imprescindível para acessar o organismo fetal em seu crescimento intra-uterino. O estudo bioquímico do líquido que envolve o bebê, o líquido amniótico, assim como o desenvolvimento de vários exames de sangue, também vêm a auxiliar o diagnóstico do bem-estar do feto. 

Nos anos 80, vem se somar a estes, o exame de cardiotocografia, que avalia as condições do coração fetal frente a situações de doença materna ou durante as contrações do trabalho de parto, sendo um grande exame até os dias atuais para diagnosticar o assim chamado sofrimento fetal, onde o médico percebe a possibilidade de morte iminente do nenê, podendo recorrer à intervenção por cesárea com rapidez e eficiência.

Mais recentemente, já nos anos 90, surge a dopplervelocimetria, com a possibilidade de se estudar não só o fluxo de sangue que se faz do útero para a placenta e desta para o feto, como também até mesmo o fluxo sanguíneo dentro do organismo fetal.

Outras conquistas poderiam também ser listadas, mas o importante é dizer o quanto tudo isto contribuiu para uma melhor assistência médica durante este período de vida da mulher e, porque não dizer, da família humana. Felizmente, os tempos mudaram e hoje podemos contar com todo o progresso da medicina para cuidar da mãe e da criança da melhor forma possível, evitando muitos dos problemas que podem ocorrer durante a gravidez e o parto.

No entanto, infelizmente, nem todas as mulheres sabem da importância de um bom pré-natal, vivendo no tempo de suas avós, em que tudo dava certo por sorte ou ajuda divina. Tais mulheres não tomam contato com as evoluções ocorridas nos últimos anos e mantém-se unidas a mitos do passado, como por exemplo, de que devem comer muito e não passar desejos, sob a pena da criança nascer com uma cara esquisita. Futuramente, vamos conversar sobre como se faz um bom natal, sua importância e seus desafios.

Aviso: As informações contidas neste Web Site, não podem ser usadas como um substituto para se obter aconselhamento 
ou tratamento médico. Os leitores deste Web Site não devem depender exclusivamente das informações aqui contidas. 
Procure sempre um profissional especializado.

 



Copyright© Clube do Bebê 2000/2004