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Pré-Natal ou assistência pré-natal é o conjunto de ações de atenção médica que se fazem no período em que a mulher encontra-se grávida, visando uma melhor condição de saúde tanto para ela como para o seu bebê, evitando a morte e o comprometimento físico de ambos os dois.
Hoje em dia é comum as pessoas já terem ouvido falar do Pré-Natal. Mas nem sempre foi assim. As primeiras ações que visavam melhorar o bem-estar tanto da mãe como da sua criança iniciaram-se neste nosso século XX, quando alguns médicos começaram a pensar que talvez fosse interessante se fazerem visitas domiciliares às gestantes e chegou-se a cogitar em internação hospitalar para algumas delas.
Até 1901, ninguém achava que a mulher devesse ter seu filho em hospital e muito menos internar-se antes do parto. Só a partir deste momento que se viu que a morte da mãe poderia ser evitada ao tratá-la adequadamente antes do parto.
Como vemos, o Pré-Natal é algo muito recente em termos de medicina. Os primeiros serviços de atendimento pré-natal só surgiriam no Brasil lá pelo anos 20-30, sendo que só no pós-guerra eles realmente se estabeleceram. Mas até este momento, apenas se pensava na mulher, em diminuir os agravos para a sua saúde, sem se pensar quase no feto. Vivíamos um período em que o parto cesárea raramente era feito, pois representava a morte para 40% das mulheres. Os bancos de sangue estavam ainda engatinhando e o primeiro antibiótico, a penicilina, apenas começava a ser
aplicada, a um preço ainda proibitivo e com vários efeitos colaterais, pois ainda não era bem purificada. Era um tempo em que, frente aos partos mais difíceis o marido rogava ao médico: "Dr, filho a gente faz outro depois. Mas, por favor, salve a minha mulher, pois é a única que tenho".
Só nos anos 50-60, com a diminuição das taxas de morte materna, é que se começou a preocupar decididamente com o feto e sua saúde ainda dentro do corpo da mãe. Foi aí que se começou a ver como o nenê era alimentado pela placenta e do quanto de oxigênio ele precisava para se manter vivo. Os médicos aos poucos foram se dando conta de como ele crescia e quais eram suas adaptações para viver fora do organismo materno. Foi um tempo de grande evolução, onde aquele ser misterioso que residia no útero da mulher foi progressivamente sendo descoberto.
A segunda guerra mundial, com seus horrores de morte e de fome, pode contribuir para um melhor entendimento do como esta criança era nutrida, mas avanços tecnológicos importantes ajudaram mais ainda este re-descobrimento fetal. Dentre tais avanços, sem dúvida nenhuma se encontra a ultrassonografia que, a partir dos anos 70, vai se estabelecendo como recurso imprescindível para acessar o organismo fetal em seu crescimento intra-uterino. O estudo bioquímico do líquido que envolve o bebê, o líquido amniótico, assim como o desenvolvimento de vários exames de sangue, também vêm a auxiliar o diagnóstico do bem-estar do feto.
Nos anos 80, vem se somar a estes, o exame de cardiotocografia, que avalia as condições do coração fetal frente a situações de doença materna ou durante as contrações do trabalho de parto, sendo um grande exame até os dias atuais para diagnosticar o assim chamado sofrimento fetal, onde o médico percebe a possibilidade de morte iminente do nenê, podendo recorrer à intervenção por cesárea com rapidez e eficiência.
Mais recentemente, já nos anos 90, surge a dopplervelocimetria, com a possibilidade de se estudar não só o fluxo de sangue que se faz do útero para a placenta e desta para o feto, como também até mesmo o fluxo sanguíneo dentro do organismo fetal.
Outras conquistas poderiam também ser listadas, mas o importante é dizer o quanto tudo isto contribuiu para uma melhor assistência médica durante este período de vida da mulher e, porque não dizer, da família humana. Felizmente, os tempos mudaram e hoje podemos contar com todo o progresso da medicina para cuidar da mãe e da criança da melhor forma possível, evitando muitos dos problemas que podem ocorrer durante a gravidez e o parto.
No entanto, infelizmente, nem todas as mulheres sabem da importância de um bom pré-natal, vivendo no tempo de suas avós, em que tudo dava certo por sorte ou ajuda divina. Tais mulheres não tomam contato com as evoluções ocorridas nos últimos anos e mantém-se unidas a mitos do passado, como por exemplo, de que devem comer muito e não passar desejos, sob a pena da criança nascer com uma cara esquisita.
Futuramente, vamos conversar sobre como se faz um bom natal, sua importância e seus
desafios.
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