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Todos esses conceitos e definições chegam até nós
durante a gravidez, após o parto e mesmo no retorno às atividades do
nosso cotidiano em casa ou no trabalho; e muitas perguntas sempre nos
vêem à mente: "Será que isso existe mesmo?"; "Estou com
esta síndrome?"; "É normal chorar quando o bebê chora?"
Com todas estas dúvidas e outras mais, muitas vezes ficamos constrangidas
de mencioná-las ou até questioná-las, e principalmente COM QUEM???
Como mulher, mãe, ginecologista e obstetra devo dizer que é o seu
médico a pessoa mais indicada para tirar essas dúvidas e fazer um
diagnóstico se preciso for, e tranquilizá-la quanto ao tratamento e
prognósticos de cada caso.
A tendência atual na literatura médica especializada é desconsiderar a
existência de um distúrbio mental específico no puerpério, sendo
o parto apenas deflagrador de transtornos psiquiátricos (depressão
pós-parto e psicose puerperal) ou alterações do humor (tristeza
pós-natal).
Esses distúrbios do funcionamento emocional, cognitivo, comportamental e
físico surgem nas 4 primeiras semanas ou dentro de 3 a 6 meses após o
parto. Estudos epidemiológicos demonstram que cerca de 50% das puérperas
(nome dado à mulher no período pós-parto) apresentam tristeza
pós-natal e 0,2% são acometidas de psicose puerperal (Cox. et.al.
1982,1993).
A tristeza pós-natal não deve ser confundida com depressão pós-parto,
pois não necessita de tratamento médico especializado e tem remissão
espontânea, já a depressão pós-parto deve ter um tratamento
psicológico e/ou farmacológico com antidepressivos e/ou hormônios (17B
estradiol), sendo que na maioria dos casos o curso da síndrome tem uma
boa evolução (sem sequelas psicológicas) e o quadro tem seu término em
2 a 6 meses.
Porém existe uma tendência de repetição dos quadros de tristeza e
depressão pós-parto, em gravidezes subsequentes, numa incidência de 70
a 85% de pacientes com história anterior destas síndromes.
A importância do diagnóstico precoce e terapêutica imediata se deve ao
fato que há sólidas evidências da relação de causa e efeito
entre depressão puerperal e o desenvolvimento cognitivo e emocional da
criança, pois a comunicação entre a mãe e seu filho, torna-se alterada
e dentro de um clima de angústia, já que a perda de interesse e prazer
bem como humor deprimido, caracterizam alguns dos sintomas maternos. Por
outro lado, esses sintomas tendem a diminuir sua frequência com o
distanciar-se do pós-parto, não devendo permanecer após 6 meses.
Assim, vemos que tudo é bem mais fácil de ser resolvido, quando
procuramos ajuda e esclarecimentos sem medo ou constrangimento de
exteriorizar nossas dificuldades e anseios quanto à tão nova condição
da MATERNIDADE.
Um abraço e "Feliz Dia das Mães (ou Futuras)"...
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