Dra. Maria Christina Pieski Ludwig (CRM 39547)


 
DEPRESSÃO PÓS-PARTO
OU
TRISTEZA PÓS-NATAL???
 


"A depressão que faz a mãe odiar o bebê!"
(Imprensa leiga - 02/09/98)

Todos esses conceitos e definições chegam até nós durante a gravidez, após o parto e mesmo no retorno às atividades do nosso cotidiano em casa ou no trabalho; e muitas perguntas sempre nos vêem à mente: "Será que isso existe mesmo?"; "Estou com esta síndrome?"; "É normal chorar quando o bebê chora?" 

Com todas estas dúvidas e outras mais, muitas vezes ficamos constrangidas de mencioná-las ou até questioná-las, e principalmente COM QUEM???

Como mulher, mãe, ginecologista e obstetra devo dizer que é o seu médico a pessoa mais indicada para tirar essas dúvidas e fazer um diagnóstico se preciso for, e tranquilizá-la quanto ao tratamento e prognósticos de cada caso.

A tendência atual na literatura médica especializada é desconsiderar a existência de um distúrbio mental específico no puerpério, sendo 
o parto
apenas deflagrador de transtornos psiquiátricos (depressão pós-parto e psicose puerperal) ou alterações do humor (tristeza pós-natal).

Esses distúrbios do funcionamento emocional, cognitivo, comportamental e físico surgem nas 4 primeiras semanas ou dentro de 3 a 6 meses após o parto. Estudos epidemiológicos demonstram que cerca de 50% das puérperas (nome dado à mulher no período pós-parto) apresentam tristeza pós-natal e 0,2% são acometidas de psicose puerperal (Cox. et.al. 1982,1993).

A tristeza pós-natal não deve ser confundida com depressão pós-parto, pois não necessita de tratamento médico especializado e tem remissão espontânea, já a depressão pós-parto deve ter um tratamento psicológico e/ou farmacológico com antidepressivos e/ou hormônios (17B estradiol), sendo que na maioria dos casos o curso da síndrome tem uma boa evolução (sem sequelas psicológicas) e o quadro tem seu término em 2 a 6 meses.

Porém existe uma tendência de repetição dos quadros de tristeza e depressão pós-parto, em gravidezes subsequentes, numa incidência de 70 a 85% de pacientes com história anterior destas síndromes.

A importância do diagnóstico precoce e terapêutica imediata se deve ao fato que há sólidas evidências da relação de causa e efeito entre depressão puerperal e o desenvolvimento cognitivo e emocional da criança, pois a comunicação entre a mãe e seu filho, torna-se alterada e dentro de um clima de angústia, já que a perda de interesse e prazer bem como humor deprimido, caracterizam alguns dos sintomas maternos. Por outro lado, esses sintomas tendem a diminuir sua frequência com o distanciar-se do pós-parto, não devendo permanecer após 6 meses.

Assim, vemos que tudo é bem mais fácil de ser resolvido, quando procuramos ajuda e esclarecimentos sem medo ou constrangimento de exteriorizar nossas dificuldades e anseios quanto à tão nova condição da MATERNIDADE.

Um abraço e "Feliz Dia das Mães (ou Futuras)"...

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