Manual dos Primeiros Anos


A Volta para Casa
     Nós, mães e mulheres
    Nós e nosso bebê
     Nós e nossa família

Alimentação de 0 aos 2 anos
    O seu crescimento
    O primeiro nutrimento
    O início da alimentação
    Alimentação de 1 a 2 anos

Crescimento e Progressos
    Mundo do recém nascido
    Os primeiros três meses
    Dos 3 aos 6 meses
    Dos 6 meses a 1 ano
    De 1 a 2 anos
    Brincadeiras e Segurança

Dicionário de A a Z
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  Novas Necessidades
A passagem de uma alimentação exclusivamente láctea a uma dieta mista, nada mais é que a integração ao leite (materno ou atificial) de outros alimentos necessários ao crescimento do seu bebê: carne, verduras, frutas, cereais, etc. São as novas necessidades nutritivas, que por volta do quarto mês, representam uma etapa bem precisa na evolução física, psicológica e sensorial do bebê. Parece inacreditável, mas qualquer bebê consegue reconhecer os quatro sabores básicos: doce, amargo, salgado e ácido. Sabe-se que os bebês têm uma predileção inata pelo sabor doce, e isso se deve ao fato de que nos primeiros meses de vida, o recém nascido se alimentará exclusivamente de um único alimento: o leite. Materno ou artificial, este primeiro nutrimento é inconfundivelmente doce ao seu paladar. A alimentação sólida, é um processo que se inicia por volta do 6° mês, e que continua gradativamente por todo o primeiro ano de vida. Porque se definiu este período para o início da alimentação? Os motivos são muitos e não só por razões nutricionais. 
A alimentação exclusivamente láctea não é mais suficiente, pois o leite não consegue mais satisfazer todas as exigências nutritivas de seu bebê. Além de uma necessidade calórica maior, ele precisará de novos alimentos mais ricos em proteínas e ferro, por exemplo.
Estômago e intestino estão mais maduros: prontos para assimilar alimentos que até agora poderiam ser indigestos, e até mesmo provocar distúrbios alimentares e reações alérgicas.
O seu bebê agora é capaz de deglutir alimentos sólidos: até este momento, um bebê só consegue chupar, mas agora consegue coordenar os músculos necessários para iniciar a aprender a mastigar e engolir um alimento de consistência diferente.

  Somos o que Comemos
O início da alimentação sólida é uma nova fase que se abre na evolução alimentar de seu filho: de um lado se abre todo um mundo de novas experiências sensoriais a serem exploradas, e de outro lado, se colocam à disposição uma gama maior de nutrientes que serão indispensáveis para o seu desenvolvimento e bem estar. Criar corretamente hábitos alimentares saudáveis é o caminho mais fácil para se prevenir na idade adulta certas doenças como a obesidade, o diabete e a hipertensão. Para que a alimentação seja o alicerce do bem estar de seu filho, o mais importante é conhecer os elementos nutritivos que cada alimento contém. Lembrando que não existe nenhum alimento que sozinho seja capaz de satisfazer todas as necessidades do organismo (mesmo o leite materno, depois de alguns meses se torna insuficiente). Como é possível então compor uma dieta equilibrada para um bebê? É necessário balancear as refeições de seu bebê com os 5 elementos essencias para manter o bom equilíbrio físico do organismo:

As Proteínas e os Aminoácidos 
O nosso corpo é um maravilhoso "conjunto" de milhares de células que compõem os orgãos e os tecidos. Para construí-las e renová-las o organismo precisa das proteínas, que podemos comparar aos "tijolos" de um castelo. Elas se encontram principalmente na carne, peixe, ovos e laticínios, que contêm todos os aminoácidos essenciais e por isso dizemos que são proteínas nobres ou de alto valor nutricional. Os legumes (feijão, ervilhas, lentilhas, etc) também apresentam alguns aminoácidos essencias, mas em menor número. Além de servirem para a construção das células, as proteínas são os principais componentes dos músculos, dos orgãos internos e da pele, servem também para a produção de enzimas e de certos hormônios, e nos processos de coagulação do sangue.

Os Carboidratos
O organismo é uma máquina complexa, que realiza mil atividades e que está sempre em movimento, mesmo quando parece em repouso. É necessário energia para manter esta máquina funcionando. E esta é a tarefa dos carboidratos (ou açucares) encontrados principalmente nos cereais, na batata, nos legumes, nas frutas, no leite e também no açucar e no mel. Os carboidratos são utilizados principalmente para manter o funcionamento do sistema nervoso e para produzir energia para a atividade física. 

As Gorduras
Outra fonte concentrada de energia, as gorduras são importantes pois interagem na formação das membranas celulares do sistema nervoso central, do cérebro e da retina, mantendo a sua integridade, e também são responsáveis pelo transporte de algumas vitaminas. É importante lembrar que existem dois tipos de gorduras: saturadas (na maioria das vezes de origem animal) e insaturadas (predominantemente de origem vegetal). Um excesso de gorduras saturadas pode levar seu bebê a aumentar muito de peso até chegar à obesidade e na vida adulta sofrer de diversos problemas de saúde. As gorduras saturadas provêm principalmente da manteiga, salames, queijos amarelos, etc. e as gorduras insaturadas são encontradas nos óleos vegetais.

As Vitaminas
A principal função das vitaminas é a de regular e coordenar a atividade das células, agindo na base dos processos fundamentais do organismo. Como o nosso organismo não consegue fabricá-las por conta própria, é necessário introduzí-las através dos alimentos. São classificadas em dois grandes grupos: as vitaminas solúveis em gordura (A, D, E, K) e as solúveis em água (complexo B, ácido fólico, C, PP,).

Vitamina Onde se Encontra Ao que serve Carência

Vitamina A

Leite, manteiga, queijos,  fígado, ovos, cenouras

Necessária aos olhos, pele e ao crescimento

Provoca pele seca e rugosa, cegueira noturna

Vitamina B1

Levedo de cerveja, legumes, frutas, cereais, carnes, farinha integral e batatas

Necessária para a proteção do tecido nervoso

Provoca cansaço, nervosismo, fraqueza e falta de apetite.

Vitamina B2

Leite,  peixe, carnes, cereais, ovos e fígado

Ajuda a proteger os tecidos e a visão

Provoca lesões na pele e mucosas, conjuntivite

Vitamina B5

Gema do ovo, fígado, verduras de folha verde, levedo de cerveja e legumes

Necessária para nutrir as células dos orgãos e tecidos

Provoca problemas gastrointestinais, cansaço e dor de cabeça

Vitamina B6

Cereais integrais, ovos, legumes, peixe, batatas e carnes 

Necessária à vida celular, protege a superfície da pele e dos tecidos nervosos 

Provoca náusea, vômito, câimbras, anemia e distúrbios nervosos

Vitamina B12

Fígado, peixe, carnes, ovos, leite e queijos

Ajuda na formação dos glóbulos vermelhos e no funcionamento do sistema nervoso

Provoca anemia e distúrbios nervosos

Vitamina C

Verduras de folhas verdes, frutas cítricas, morangos, melão, tomates, couve, espinafre

Ajuda na proteção da membrana celular e na absorção do ferro, defesa imunológica e nos resfriados

Provoca irritação, cansaço, insonia, escorbuto e maior risco de doenças infecciosas

Vitamina D

Leite, manteiga, queijos, gema do ovo, peixe

Favorece a fixação do cálcio e do fósforo nos ossos, ajuda na formação dos dentes, ossos e crescimento

Raquitismo, fragilidade dos ossos

Vitamina E

Óleos vegetais,

Necessária na proteção das células, antioxidante, conserva os tecidos do corpo

Os estudos sobre a carência desta vitamina ainda estão em andamento

Vitamina PP ou Niacina

Carne, peixe, cereais, fígado e legumes

Necessária ao crescimento e a manutenção do organismo

Depressão, fraqueza e falta de vontade

Ácido Fólico

Fígado, verduras de folha verde, ovos e batatas

Ajuda na formação dos glóbulos vermelhos

Anemia, baixo número de glóbulos vermelhos e distúrbios nervosos


Os Sais Minerais
Os sais minerais são substâncias que participam principalmente da construção dos ossos e dos dentes (cálcio, fósforo e fluor) e da formação dos glóbulos vermelhos (ferro). São também responsáveis pelo equilíbrio hidro-salino (sódio, potássio e cloro) e certos ciclos metabólicos (magnésio e cromo). Como são eliminados diariamente pelo organismo, através da urina, fezes e suor, é necessário uma constante reposição através dos alimentos.

Sais Minerais Onde se Encontra Ao que serve Carência

Cálcio

Leite, queijos, verduras verdes, legumes secos

Responsável pela formação dos ossos e dos dentes, e da coagulação do sangue

Raquitismo e osteoporose 

Fósforo

Leite, queijos, carne, aves

Responsável pela formação dos ossos e dos dentes

Fraqueza dos ossos

Potássio

Carne, leite e várias frutas

Importante para o equilíbrio das células e do sistema hídrico do organismo 

Fraqueza muscular

Cloro

Sal de cozinha

Importante para o equilíbrio das células e formação do suco gástrico

Câimbras musculares e falta de apetite

Sódio

Sal de cozinha

Importante para o equilíbrio das células e do sistema hídrico do organismo 

Câimbras musculares e falta de apetite

Magnésio

Verduras de folhas verdes e legumes

Ativa as enzimas responsáveis pela sintese das proteinas

Problemas de crescimento e distúrbios de comportamento

Ferro

Carne, legumes, verduras de folhas verdes e ovos

Compõem os glóbulos vermelhos e é responsável por muitas funções do organismo

Anemia, fraqueza, menor resistência à infecções

Fluor

Peixes

Favorece o desenvolvimento dos dentes e protege contra as cáries

Menor resistência às cáries

Zinco

Presente na maioria dos alimentos

Intervêm em muitas funções químicas do organismo

Problemas de crescimento, falta de apetite, problemas na cicatrização de feridas

Iodo

Peixes de mar, vegetais, algas

Constituinte dos hormonios da tireóide

Papeira (aumento da tireóide)


  Sete Grupos Fáceis de Lembrar 

Os sete grupos

1 - O grupo da carne, do peixe e dos ovos. Reúne todos os alimentos que fornecem proteínas de alto valor biológico, ferro e algumas vitaminas. Princípios essenciais para o crescimento.

2 - O grupo dos laticínios. Leite, iogurte, queijos formam um grupo por si só, porque mais do que qualquer outro alimento, fornecem o cálcio, um mineral importantíssimo para o desenvolvimento ósseo do bebê.

3 - O grupo dos cereais.  É formado pelo arroz, macarrão, farinhas (biscoitos e crackers), mas também pelas batatas, pois são ricas em amido. Este é o grupo da energia. 

4 - O grupo dos legumes. Lentilhas, feijão, grão de bico, ervilhas, são fontes riquíssimas em ferro.

5 - O grupo das gorduras. Óleo de oliva, de girassol, de soja, e também a manteiga e a margarina são os alimentos que apresentam o mesmo princípio nutritivo, de gorduras saturadas.

6 - O grupo das frutas e vegetais fontes de vitamina A. Os vegetais e frutas de cor amarelo-laranja como cenoura, abóbora, banana, caqui, melão, etc, e aqueles de folhas verde escuras como espinafre, brócolis, almeirão, couve, etc, além de sais minerais e fibras são riquíssimas fontes de vitamina A.

7 - O grupo das frutas e vegetais fontes de vitamina C. A lista compreende: tomates, pimentões, couve-flor, limão, laranja, tangerina, abacaxi, morangos, kiwi, amoras, etc, que são sempre mais eficazes se consumidos cru.


  Um de Cada Vez, Todos os Novos Alimentos
Antes de aceitar os novos alimentos sólidos, seu bebê deverá enfrentar duas grandes renúncias: o abraço carinhoso da mamãe e o leite. Não pense que ele vencerá facilmente esta batalha pela chamada autonomia alimentar: serão necessários meses para que ele conheça todos os novos alimentos. Por isso é indispensável saber escolher aqueles mais indicados, oferecê-los no momento e no modo certo, sem render-se às primeiras "escaramuças". Será o pediatra quem melhor indicará como e quando iniciar a alimentação e quais os alimentos indicados. Gradualmente e com muita paciência, você deverá dar início à nova alimentação de seu filho. 
A primeira refeição de seu filho iniciará por introduzir um alimento de cada um dos seguintes grupos: legumes, verduras, carnes, cereais e frutas. Certamente você iniciará com batatas, cenouras ou mandioquinhas, verduras de folhas escuras como espinafre ou brocolis, carnes de vaca ou frango, tudo cortado em pedacinhos, cozido lentamente com água, e passado na peneira ou no mixer, cozinhando posteriormente com creme de arroz ou aveia. Depois da sopinha, ofereça a seu filho uma fruta amassada (banana ou mamão) ou raspadinha (maçã ou pera).
A segunda refeição de seu filho acontece provavelmente um mês depois que seu bebê provou a sua primeira sopinha. Uma coisa é certa: o impacto com esta segunda refeição será muito menos problemático. O bebê agora já está acostumado a novos sabores e às consistências mais cremosas, e as novidades desta vez serão aceitas com mais facilidade. A introdução alimentar agora fica por conta da gema do ovo cozida, queijinho branco ou ricota, e farináceos como pão e macarrãozinho.
E os novos alimentos continuam... gradualmente, serão introduzidos outros alimentos como o peixe (que contém muitas proteínas nobres, é de fácil digestão, rico em sais minerais úteis ao crescimento como ferro, fósforo e cálcio, e excelente fonte de vitaminas como A, D, B1 e B2); outros tipos de carne (além da carne de vaca, frango, vitela pode-se optar pelo peru ou coelho); outros tipos de grãos como feijão, lentilhas, ervilhas, grão-de-bico, etc (que contém ricas proteínas e são uma boa fonte de minerais como ferro e cálcio, e também de vitaminas); e também o iogurte tradicional (que é uma importante fonte de cálcio e contém os famosos lactobacilos que regularizam a flora intestinal); o tomate (até agora não inserido na dieta de seu filho por poder desencadear certas reações alérgicas).

  S.O.S. Alergia
Quando se fala em iniciar o processo de alimentação em um bebê, muito se alerta quanto ao uso de alimentos com conservantes e aditivos em geral, ou ainda a não utilização das claras dos ovos nas refeições. Isso porque os primeiros anos de vida é o período no qual o organismo do bebê é mais exposto ao risco de uma sensibilidade alérgica. A alergia é em prática uma reação exagerada do organismo quando em contato com certas substâncias (alimentos, pólem, ácaros, etc) que para a maioria das pessoas são totalmente inócuas.  No primeiro ano de vida, as manifestações alérgicas são principalmente de tipo alimentar, porque o aparelho gastrointestinal de um bebê de poucos meses ainda não desenvolveu os mecanismos de defesa, tornando-se mais vulnerável. Existem sempre os fatores hereditários que predispõem uma criança a ser alérgica, como também os fatores ambientais influenciam estas manifestações. Será o pediatra a indicar a melhor forma de iniciar a introdução alimentar principalmente nos casos de crianças com certa predisposição familiar a alergias. E fique atenta aos sinais de alarme: diarréia, vômito e erupções cutâneas que provocam coceira.
Vide "alergia" no capítulo O Dicionário de A a Z.

 



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