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Depoimentos 2000

 


Espaço reservado para mães e pais contarem suas estórias, 
suas experiências, seus medos e anseios, suas glórias e alegrias. 
Enfim, um cantinho para podermos dividir os nossos sentimentos..


Mande o seu depoimento para o email: faleconosco@clubedobebe.com.br


UM É BOM, DOIS É DEMAIS!!! 

Em julho eu e meu marido nos encontrávamos em Canoa Quebrada, no Ceará viajando com nosso filho de quatro anos. Em dado momento do passeio sentamos na areia e ficamos admirando nosso filhinho brincando sozinho na beira do mar. Não sei como mas tanto eu quanto meu marido fomos tomados por um enorme sentimento de tristeza ao observarmos aquela criança brincando sozinha na praia. Nos olhamos, meu marido suspirou fundo e começamos a conversar sobre termos mais filhos. Eu tinha medo. Não sei bem do quê. Medo de ser mãe de mais de uma criança talvez. Haveria amor para outra criança? Após um longo diálogo resolvemos que já estava na hora de ter outro filho. Eu parei com a minha pílula antes da viagem acabar.

Há dois meses fiquei grávida. Acho que foi um presente pois faço aniversário no dia  07 de outubro. No dia 1o de dezembro outra surpresa: Há dois bebezinhos no meu útero. Ouvi o coração dos dois. FETO I, FETO II... Meus filhos.

Estou muito contente, me achando um ser de outro planeta. Sou a primeira grávida de gêmeos que eu conheço. Na África, continente que mora no coração da minha família os gêmeos são considerados seres poderosos. As pessoas dão dinheiro para eles na rua. Principalmente na Nigéria. É muito bonito. Não deve ser fácil criar, educar gêmeos, mas há algo que seja verdadeiramente bom e fácil? Não. Este é o preço das raridades. O que é bom geralmente é difícil. Não se ganha, se conquista.

Sinto falta de um site sobre gravidez gemelar. Com a quantidade de fertilizações e tratamentos para engravidar acontecendo e a quantidade de gestações gemelares aumentando acho que seria uma boa criarem um site voltado para este tipo de gravidez. Beijos e que Papai do céu abençoe a todas as mamães de todas as viagens: De primeira, de segunda, de duas em uma...
Dione Lima.



MÃE DE SEGUNDA VIAGEM 

Ele chegou... passei por tudo novamente...o hospital, a anestesia, o primeiro choro dele, o meu choro ao escutá-lo pela primeira vez, a primeira mamada... foi tudo maravilhoso... de novo! Minha filha de um ano e meio recebeu super bem o irmãozinho... parece que ela não entende muito bem o que aconteceu, mas já sabe que a mamãe tem de dar o peito ao nenê cada vez que ele chora. Gosta de tocá-lo, beijá-lo, como se ele fosse mais um brinquedinho. 

Foi tudo tão maluco... da primeira vez tive depressão, a individualidade falava mais alto. O meu tempo parecia tão curto...chorava dia e noite. Agora é diferente. Mal saio do trocador do Francisco e vou correndo preparar a mamadeira da Lucília...pego um no colo e logo já estou beijando o outro...o excesso de trabalho - acreditem - está muito divertido! O tempo de cada dia parece ter duplicado. É muito bom sentir-se mãe 24 horas por dia! E Deus sabe quão boa é a sensação de, à noite, visitar os dois quartinhos e ver meus dois anjinhos dormindo... mesmo sabendo que a noite vai ser mal dormida, como sempre quando se tem dois bebês em casa...

É deitar-me todos os dias com a sensação da missão cumprida! Sinto-me completa, realizada e recomendo uma segunda gravidez a qualquer mulher que adore verter leite e lágrimas em busca de muita vontade de viver... sim, porque um filho traz trabalho, responsabilidade mas acima de tudo muito, muito estímulo para a vida! Pelo jeito não vou parar por aqui... qual será a idade ideal do segundo filho para se encomendar o terceiro...

Tatiana de Bruyn Ferraz Teixeira
mãe da Lucília, de 1 ano e meio e do Francisco, de 18 dias.




NÃO TENHA MEDO DE SER MÃE

Minha gravidez não foi desejada, simplesmente aconteceu. Sofri muito pois tinha medo de não gostar do meu bebe, de perder a minha liberdade, de não ter paciencia. Chorei muito, cheguei a desejar que tudo não passasse de um engano. Não senti que gostava da minha barriga e me sentia um montro por isso.

O dia do nascimento chegou, e ele, VICTOR, meu filho chegou. Grande, forte e me olhando de um jeito que parecia olhar meu intimo e me amar com toda a sua inocencia apesar de tudo. Foi amor a primeira vista. Moro no exterior longe da minha familia e tive que cuidar dele contando somente com a ajuda do meu marido e seguindo conselhos de amigos que vinham em casa de vez em quando.

Foram tempos dificeis, as vezes meu marido chegava do trabalho as seis horas da noite e eu ainda nao tinha nem comido, não sabia como lidar com um bebe e ele chorava o tempo todo, só parava quando estava no colo.

Com muita paciencia e muito amor meu marido e eu superamos tudo isso, e hoje sou muito grata a Deus por ter me dado o maior dos presentes.

Perdi muito da minha liberdade sim, mas posso garantir que não ha programa melhor do que curtir a vida em familia pertinho do meu filho e do meu marido a quem amo tanto.
Obrigada Victor por voce existir
Obrigada ALE, meu marido por ter sido sempre tão companheiro e amigo
OBRIGADA DEUS POR TORNAR TUDO ISSO POSSIVEL
Juliana Shiroma - Aichi Ken - Japão



SER MÃE DE NOVO, UMA HISTÓRIA PARA PARTILHAR...

Tenho uma filha de um ano e meio e estou grávida de novo...O Francisco deve nascer em meados de outubro... sinto falta nos textos da internet sobre histórias de mães de segunda viagem...Como será minha reação? Como é escutar o primeiro choro do segundo filho? Como será não dormir por mais alguns meses tendo de dar o peito a cada três horas? Como será que anda a individualidade de uma mãe que já teve de dividir-se em dois quando teve o primeiro filho... será o segundo uma terceira divisão?

Quando a Lucília nasceu, tive depressão pós parto que durou três meses... não cheguei a tomar remédios, mas chorava o tempo inteiro... minha individualidade falava tão alto que pensava ter destruído a minha vida. Não dormia mais, não comia direito, via minha filha como algo que atrapalhava a minha vida, que nunca mais voltaria a ser a mesma pessoa. Tinha saudades da gravidez, da vida só com meu marido, das saídas à noite (que nunca foram tão frequentes assim...)...não conseguia entender por que as pessoas diziam que era tão gostoso ter um filho. 

Nossa, como as coisas mudaram...Como dizia Santo Agostinho, depois de um grande sofrimento vem sempre uma grande felicidade! Ter um filho é, sim, muito difícil. É preciso fazer inúmeras concessões. É preciso dar um pedaço de si mesma para construir uma nova vida. Ter um filho é morrer e nascer novamente. Hoje tenho a consciência de que ser mãe faz parte do aprendizado da vida... talvez o aprendizado mais doloroso, mas o que nos dá a verdadeira noção da vida, da existência humana. Hoje encontrei a resposta que todos costumam fazer-se desde o nascimento... quem sou eu?... o que vim fazer no mundo?... Qual o sentido da vida?...Por que Deus me deu a vida?...Por que nascemos, existimos?...A resposta é muito simples: O ser humano (homens ou mulheres) nasce para saber um dia o que é AMAR UM FILHO. É por isso que me pergunto ...como será amar o segundo filho?Acho que meu coração não vai aguentar...
Tatiana Ferraz Teixeira - ferrazteixeira@uol.com.br



GÊMEOS - QUE MUDANÇA!!!

Estou dando meu depoimento sobre gestação gemelar, pois sinto muito falta desse tipo de matéria na internet. Todos mencionam os cuidados que devemos  ter com a gestação de gemelares e uma visão bem superficial de como  educá-los. Eu e meu  marido não estávamos preparados para termos filhos, pois, o número de espermatozóides dele era muito baixo e os poucos que existiam, diziam os médicos, serem de má qualidade. Muito bem, depois de aceitarmos a situação de não sermos pais biológicos pois não queríamos  fazer a  insiminação artificial (nada contra). É que além de tudo eu sou diabética desde  os nove anos. Hoje estou com 31. Quando soubemos da gravidez já foi aquele susto. Quando soubemos que eram dois, susto dobrado. Eu sei que é maravilhosa a maternidade, mas acho que mães de gêmeos, trigêmeos e até mais sentem falta de saber das experiências de outras mães na mesma situação. Esse é o meu caso. Minha gestação provocou uma  mudança bastante drástica  na minha vida. A começar pelo trabalho, pois tive complicações já nos primeiros meses e tive que ficar em repouso (sem trabalhar, sem dirigir, etc...) Valia a pena, pois era por um motivo mais do que justo. Minha mãe mora em outra cidade e para ajudar-nos a cuidar de dois bebês, e mesmo durante a gestação eu precisava de alguém por perto. Conclusão: Mudamos para a chácara da minha mãe. Conforme a gestação se desenvolvia,  íamos estudando o melhor a ser feito.

Construímos na chácara de meus pais e mudamos para lá definitivamente. Com o nascimento das minhas filhas, são duas meninas, Julia e Laura, tudo mudou  mais ainda. Não é fácil cuidar de dois bebês. Ainda mais que hoje temos a necessidade de procurar educar da melhor forma possível, a melhor alimentação, a melhor  forma de agir nas situações, e assim por diante. Uma fica doentinha, a outra também fica. Uma quer uma coisa, a outra também. Todas as compras são dobradas.  Dois bebês confortos, dois  carrinhos, dois berços, etc...Com certeza, a felicidade é em dobro. Mas sou bastante realista em dizer que as dificuldades também. Chego, algumas vezes, achar que não vou  conseguir aguentar tanta mudança, tanta dedicação, tanta responsabilidade. A cobrança é muito grande. Se eu for entrar em detalhes, meu depoimento ficará muito grande. Eu gostaria que as mamães que lerem esta mensagem e também se sentirem em "papos de aranha" que entrem em contato comigo, para que possamos conversar e trocar idéias/experiências sobre como agir em determinadas situações, ou até mesmo  simplesmente contarmos os acontecimentos. Minhas filhas, hoje, estão com 1 ano e dois  meses. Meu nome é Gisela e meu e-mail é gisela.pigatto@drslaw.com.br
Um abraço à todos.



UM MOMENTO DE DOR

Perdi três bebês em três momentos diferentes da gestação, e foi muito difícil encontrar ajuda emocional para estas perdas. Minhas filhas Paola (que nasceu com apenas 22 semanas de gestação e morreu logo depois - tenho insuficiência ístimico cervical), minha filha Livia (que nasceu com 32 semanas de gestação e tinha trissomia do cromossomo 18) e mais uma menina que perdi com 8 semanas me ensinaram muito, apesar da dor que senti por perdê-las.  Me senti tão desesperada e sozinha e não encontrava suporte emocional...

Foi então que encontrei na Internet suporte emocional à mães que perderam gravidezes e bebês no site www.hygeia.org. Perder bebes é uma coisa muito comum, mas não se fala muito disto nos sites de bebês. "Hygeia" é uma organização não governamental fundada para dar suporte as famílias que perdem bebês ou gestações, sem fins lucrativos, criada por um médico muito sensível que também escreveu um livro sobre o assunto ("Parenthood loss" - Michael Berman, tem há venda no site da Amazon).

O site Hygeia tem uma área (message board) onde as mães podem contar suas histórias, ler histórias de outras mães e responder, se quiserem.  Há uma área específica para mães que estão com os bebês seriamente doentes e uma área para mães que estão tentando conceber ou grávidas após uma ou várias perdas. Recentemente foi também criado um "message board" para estórias de sucesso após uma perda.

Como o site é em Inglês, pedi ao Dr. Michael Bermann para que disponibilisasse uma área em Português. Fui atendida, e me comprometi a divulgar para famílias que falam Português somente... Tenho lido histórias e me correspondido com estas mães e isto tem sido o melhor suporte terapêutico que encontrei até agora, para minhas 3 perdas. Encontrei muitas histórias semelhantes à minha (clinicas e emocionais) e fiz amizade com algumas mães que me enviam e-mails periodicamente. Alguns pais também participam. Estou grávida novamente, com 22 semanas, e estou resistindo e vivendo um dia depois do outro com a ajuda maravilhosa destas mães.

As mães podem partilhar suas histórias de perdas clicando em <share your stories of loss>, e depois clicando em  <share your stories of loss in Portuguese>. Para entrar é necessário que as pessoas se cadastrem (esta parte ainda está disponível só em Inglês, mas estou traduzindo). Posso ajudar pelo e-mail balby@amcham.com.br
Espero que esta "dica" possa ajudar a quem está precisando. Não há sites de ajuda e informação para mães que perderam bebês em Português. Mais de 20% das gravidezes reconhecidas não vai a termo, imagino que deve haver muitas mães precisando de ajuda...
Cecilia 



UM PRESENTE DE DEUS

Tive uma gravidez tranquila, um parto maravilhoso e nasceu um garoto lindo e cabeludinho, uma graça, estava realizada: "agora sou mãe, que felicidade ser MÃE".
No dia seguinte, DEUS havia me escolhido, havia escolhido eu e meu marido para ensinarmos o nosso bebê a sorrir, pois a vida talvez será um pouco dura, mas nada que o amor sem limites de pais não venha a ajudar o pequeno RODRIGO, que no fundo é um cavaleiro valente, pois já enfrentou alguns preconceitos e a vida como ela veio, meu pequeno é um PRESENTE DE DEUS, pois a mim escolheu para ser sua protetora, e eu assim o serei pois o amo demais com todas as perfeições e imperfeições que me foi enviado, pois ninguem é perfeito neste mundo. Hoje me sinto em sintonia com DEUS, pois tenho um dos seus anjinhos preferidos.

RODRIGO está com 6 meses, e já tem uma vida muito ativa, faz fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional desde seus 3 meses. Este meu anjo que está sempre a sorrir, sem saber que a sociedade é muito preconceituosa com quem tem Síndrome de Down, um acidente de genética que os médicos acham que nunca poderá acontecer com pessoas sem estar em idade de risco (acima de 38 anos).

Dedico este depoimento ao meu filho, lindo, maravilhoso e lhe prometo que nunca e ninguém irá te magoar. EU TE AMO, RODRIGO, MUITO!

sua mãe HELENA



A EMOÇÃO DO PARTO

Hesitei um pouco em contar minha história, não por ela ser trágica, mas por eu achá-la uma experiência comum demais para ser especial, pensei bastante e resolvi contá-la, pois para mim o nascimento do Marquinhos foi o momento mais especial da minha vida. Tudo começou em dezembro de 1999 quando minha menstruação não veio. Fiquei apavorada pois apesar de ser louca para ser mãe eu seria mais uma mãe solteira no mundo. Quando em janeiro de 2000, veio a confirmação de que eu realmente seria mãe eu não sabia se ria ou chorava, meu noivo ficou muito feliz com a notícia. Minha mãe e minha avó aceitaram bem a idéia, mas meu pai não, ele ficou 4 meses sem falar comigo, eu sofri muito, e sofro até hoje, pois meu pai nunca mais foi o mesmo comigo. Foi uma gravidez maravilhosa, eu não tive enjôos, tonturas, nada desses sintomas comuns à gravidez, só sentia uma alegria imensa que invadia-me por inteiro. A cada chute, mês após mês, eu sentia que eu era cada vez mais mãe. Semanalmente lia sobre o desenvolvimento do feto, sobre a gestação e até hoje ainda consulto o site para ler sobre o desenvolvimento do bebê. Foi maravilhoso sentir que tinha um bebezinho crescendo dentro de mim, preparar as coisinhas para o seu nascimento, as roupinhas, o bercinho, tudo era maravilhoso, sinto saudade deste tempo, da minha barriga, do curso de gestantes, da curiosidade que eu tinha em saber como ele seria. Eu passava horas olhando suas roupinhas e o imaginava usando-as, era um sentimento lindo.

Enfim, o tempo passou e no dia 13 de Agosto de 2000, às 20:10hs nasceu o Marcos Vinicius pesando 2,755Kg e medindo 47 cm. Tive um parto normal e sem anestesia, o que não era previsto, mas eu cheguei à maternidade com 10 cm de dilatação e minha bolsa ainda não havia rompido, por isso o bebê estava muito alto e se eu tomasse anestesia o parto se complicaria e teria de ser feito Fórceps. Foi uma experiência incrível ter um parto com dor, as dores são inexplicáveis, pra dizer a verdade eu não me lembro bem como elas eram, me lembro que eram muito intensas. Quando eu estava grávida, tentava imaginar como seriam as dores, mas nenhum pensamento era parecido com a dor real. O parto se complicou um pouquinho pois as minhas contrações eram muito curtas e quando eu fazia força, não era suficiente para ajudar o bebê, que era pequeno demais para fazer força para me ajudar. Meu marido teve que empurrar minhas costas e uma enfermeira empurrou minha barriga, pois o Marquinhos já estava nascendo, mas "nós" não tínhamos mais forças para ele nascer. Foi lindo quando eu ouvi o chorinho dele e o vi. Ele estava chorando, mas quando o Edson, meu marido, falou com ele, ele se acalmou e parou de chorar, eu nunca me esquecerei deste momento.

Graças a Deus deu tudo certo e hoje o Marquinhos tem 7 meses e está lindo, ele me faz orgulhosa de ter enfrentado tudo e todos para tê-lo, pois valeu a pena tudo o que eu ,ele e o Edson sofremos juntos.

Fabiana Senna de Souza Ferreira, 21 anos



TRADIÇÕES E POESIAS
São Paulo, 06 de janeiro de 2001
Ao Clube do Bebê,

Conheci o site a pouco tempo mas gostei muito da idéia, é muito bom poder contar com um espaço de troca de idéias a respeito da árdua e maravilhosa tarefa de criar filhos. Mas o intuito desta carta é sugerir uma matéria sobre um problema de pele chamado molusco. Pelo que me é falado, o molusco é uma bactéria que se apresenta na pele da criança na forma de pequenas bolinhas translucidas, aparece apenas em crianças, e estas bolinhas crescem e se multiplicam com velocidade assustadora. Como tratamento a extração parece ser a forma mais indicada, é tirado como se fosse um cravo e depois se cicatrizado não deixa marcas. No caso do meu filho, o Rafael, estamos tratando a quatro meses, a cada quinze dias voltamos para extrair mais destas bolinhas, tudo começou com apenas uma e na última consulta foram 32. O Rafa não quer mais nem passar perto do consultório da médica, é já tentei um tratamento com KOH que parece ser algo novo, mas não surtiu efeito. Gostaria de saber mais sobre essa doença que apesar de não ser grave, causa muita "dor de cabeça" . Quem sabe vocês conseguem me ajudar a conhecer mais para acabar com isso de uma vez por todas. 
Aproveito também para lhes enviar uma tradição de nossa família: são duas poesias que foram feitas pelo meu bisavô em homenagem a seus filhos, e desde então têm sido passadas de geração em geração. Essas duas poesias, a meu ver, retratam muito da ternura da relação dos bebês com o mundo. 
Meu bisavó, Wenceslau José de Oliveira Queiroz, nasceu em 02-12-1865 e faleceu em 1921. Foi representante do Movimento Simbolista de São Paulo. Foi redator do Diário Popular e do Comércio de São Paulo e redator chefe do Correio Paulistano. Atuou na fundação do conservatório Drámatico e Musical de São Paulo (1905), onde também atuou como catedrático. Portanto teve seus muitos dias de glória, mas infelizmente, a sua obra foi esquecida. Acredito que as poesias são feitas para o mundo, e portanto gostaria de compartilha-las com outras mães, para assim, quem sabe um dia, ouvi-las recitadas através de outras pessoas.

Muito obrigada,
Fátima de Queiroz Garcia
(fqgarcia@bol.com.br)

Quando adormece nenê 
Em sua cama de arminho
Nem todos sabem porque
Ele sorri de mansinho

É que em sonho um anjo vê
Cheio de doce carinho
A suplicar que lhe dê
por um bolo um só beijinho

Mas o caso é que o tratante
Come o bolo em um instante
E muitos beijinhos lhe dá

E acorda sempre sorrindo
Ao ver que o anjo é tão lindo
Como os anjinhos de cá

Nenê encontrou um dia
Um ninho de beija-flor
Entre as ramagens sombrias
De um jardim encantador

Bateu palmas de alegria
Como se fosse senhor
De tão linda moradia
Um ninho de beija-flor

Mas quando nenê foi tirá-lo 
A ave neste intervalo
Aparece a esvoaçar

E nenê assim pilhado
Fica surpreso e vexado
Com as mãozinhas no ar


* Nessa passagem de geração para geração, 
foram perdidos os títulos das poesias.

 

 



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