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de Beatriz Potter do Livro "The Tales of Petter Rabbit"
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"Era uma vez quatro coelhinhos chamados:
Bolinha, Mimoso, Algodãozinho e Joca. Eles moravam com sua mãezinha, embaixo
de um grande pinheiro. Dona Coelha, precisando um dia sair para fazer compras,
chamou-os e disse:
- Escutem, queridos, mamãe vai sair. Se vocês quiserem, podem dar uma voltinha,
mas, por favor, não entrem na horta do Sr. Tinoco. Seu pai teve um acidente lá
e nunca mais voltou para casa. Tenham juízo, filhotes, eu não me demoro.
Dona Coelha apanhou a sombrinha, a cesta de compra e foi à padaria. Comprou
cinco bolinhos com passas e um pão de forma. Bolinha, Mimoso e Algodãozinho,
que eram muito ajuizados, foram colher amoras. Joca, porém, que era muito
desobediente, passou por debaixo da cerca e foi à horta do Sr. Tinoco.
Lá chegando, comeu alfaces, cenouras e rabanetes, até não poder mais.
Sentou-se para descansar um pouco. Exatamente ali, perto do canteiro dos
repolhos, estava o Sr. Tinoco. Assim que avistou o coelhinho, correu ao seu
encalço, de ancinho na mão.
Joca ficou muito assustado; corria para todos os lados e não conseguia acertar
a saída. Perdeu um dos sapatos no meio dos repolhos, e o outro, perto das
batatas. Cada vez ele corria mais. De repente, ficou preso, pelo botão do
casaco, numa rede que protegia as uvas. Começou a chorar alto. Uns pardais
muito bonzinhos, que voavam por ali, vieram consolá-lo.
Entretanto, o Sr. Tinoco não tinha desistido de pegá-lo. Ali veio ter, com uma
enorme peneira na mão, pretendendo com ela prender o pobre bichinho. Nesse
instante, porém, Joca deu um arranco e conseguiu desprender-se. No entanto,
ficou sem o casaco e caiu em cima da caixa de ferramentas. Levantou-se depressa,
e escondeu-se dentro de uma lata grande que viu à sua frente. A lata estava
cheia de água e Joca estava muito suado; por isso, começou a sentir arrepios
de frio e pôs-se a espirrar. O Sr. Tinoco, que o havia perdido de vista,
descobriu o seu esconderijo e correu para a lata. O coelhinho, porém, foi mais
ligeiro; pulou fora da lata e ocultou-se atrás de uns vasos de plantas.
O Sr. Tinoco já estava cansado de tanto correr à procura do coelhinho, de
maneira que resolveu voltar para casa. Joca, quando percebeu que o seu
perseguidor o deixara em paz, sentou-se para descansar. Estava quase sem
respiração e tremia da cabeça aos pés. Além disso, não tinha a menor
idéia de como sair dali.
Enquanto pensava na situação, apareceu um rato que carregava, na boca,
alimento para os seus filhinhos. Joca perguntou-lhe onde ficava a saída, mas
ele não lhe respondeu, apenas sacudiu a cabeça. Então o coitadinho resolveu
ir andando para ver se descobria alguma coisa.
Atravessou o jardim e chegou a um tanque onde o Sr. Tinoco costumava encher as
latas de água. Ali estava sentado um gatinho, apreciando os peixinhos dourados
que havia no tanque. Joca, a princípio, teve vontade de dirigir-lhe a palavra,
mas pensou melhor e foi andando. Seu primo, o coelhinho Benjamim, sempre lhe
contava histórias perigosas sobre gatos...
Um pouco adiante encontrou uma carrocinha. Subiu nela e olhou à volta. Lá
adiante estava o seu inimigo, o Sr. Tinoco, cuidando de um canteiro. Do lado
oposto, ficava o portão. Que alívio! Muito de mansinho, sem fazer barulho, foi
ele se arrastando, até que se viu, são e salvo, perto do pinheiro onde ficava
sua casa. Estava tão cansado que se deitou ali mesmo e fechou os olhos.
Dona Coelha estava preparando o jantar. Quando o viu ali fora, assim, abatido,
ficou imaginando o que lhe teria acontecido. Ficou, porém, muito zangada quando
viu que ele havia perdido os sapatos e o casaco. Levou-o, no colo, para a cama e
notou que ele estava febril.
À hora do jantar, Bolinha, Mimoso e Algodãozinho foram para a mesa, comeram
bolinhos com passas e tomaram leite quentinho. Joca ficou na cama e tomou chá
de limão.
No dia seguinte, ainda se sentia mal. Estava tão arrependido, que prometeu à
mamãe nunca mais desobedecer-lhe e ser tão comportado quanto seus outros
irmãos."
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